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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Plantio


Aos alunos do mini-curso AS MÚLTIPLAS INTERPRETAÇÕES: A Problemática do Texto Literário em Sala de Aula



Vão chegando
Finos
          Distantes.

A crosta que os cobre
Não permite a penetração.
Necessito que sintam.

Mas como?

Rasgo seus tipanos
Umedeço-os com gotas de metáforas.

Ainda não é o suficiente.

Debato-me com o real,
Anseio desesperadamente pela
Tua salvação.

Minha língua penetra tua pele (corpo),
No esboço de carne ensangüentada,
Exposta.

Deposito meu vibrião,

Pronto.

Comungamos agora do mesmo olhar,
Vós também tornastes filhos da loucura.

Coser (Descosturar)

A chuva a tinha deixado encharcada.
Sua blusa formava uma segunda pele,
só que esta felizmente poderia arrancar.
O tecido de algodão
a protegia de lembranças,
retirá-lo
era reler
o passado.
Há leituras
necessárias única vez.
E às vezes nenhuma.

domingo, 5 de dezembro de 2010

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Enfadada





Cansada,
            se joga na cama.

Pensa no que fará amanhã.

Lembra que não deve antecipar,

a senhora da noite

ainda não pariu

seu ultimo filho.


Pernas afastadas, soltas.
Sob elas,
Palavras grafadas.
                
Ao Tempo, ela não quer ler;
Procura no Desespaços
a                               
Palavra pirraça.
Sentada...

Ao seu lado ele chora.
Lagrimas que adubam espinhos,        
Já podados pelo suave tempo.
                        
Olhos rápidos
Anseiam por ajuda

Ecoa um grito de socorro
Vestido sobre abismo de ameaças.

Teus finos dedos já não tocam o meu desespero
O que me resta...

é fugir.

Mas pra onde?
Há grosso tempo me diluir em soluços.  

Palavras

Minha, minhas.
Somente minhas elas não querem.
Cansadas, exaustas, trasbordam;                
 Fogem.

Quer ir?
Vá!

Já esgotei minha dor,
Não as necessito.
Hoje não me serves mais.